PODCAST Led Zeppelin Sinfônico
LED ZEPPELIN SINFOFÔNICO – Nos anos 90 o inglês Jaz Coleman (1960), músico inquieto e multifacetado, aceitou um desafio temerário, simplificando muito: transpor solos de guitarra elétrica para violinos. Arriscou-se enfim a levar clássicos do rock’n’roll para a sala de concerto. Iniciativas assim resultam frequentemente em tristes paródias. Aproximam-se irresistivelmente do musak. Anulam involuntariamente a força visceral do ruído eletrificado, da amplificação acústica que faz vibrar prazerosamente o abdome e incendeia o coração. Embotam o gesto contestador do grito, da distorção e da pancada com demãos exageradas de verniz erudito.
A banda inglesa Led Zeppelin (1969-1971)
Rock é música elementar em alta voltagem. Tal qual a tradição clássica, é fruto de uma cultura específica, com suas seduções, convenções e limitações. Transpor as fronteiras e promover aproximações enriquecedoras entre universos estéticos tão distintos é tarefa para poucos, Zappa encabeçando a lista.
Sem dúvida, o rock progessivo provou de forma contundente que é possível estabelecer um diálogo criativo. (E como não pensar em Beatles e George Martin!). O problema reside na idéia de se executar com uma orquestra um repertório imortalizado geralmente pelos seus próprios criadores, em performances ao vivo, não raro marcadas pela espontaneidade e pela intuição, ou em elaboradas gravações de estúdio.
Jimmy Page e Robert Plant
Rock é atitude. Como não perdê-la com 80 músicos sincronizados por um maestro? Como reproduzir “fielmente” as intenções originais de uma banda nesse outro contexto altamente disciplinado? Como fazer essa estranha mediação idiomática entre uma cultura musical, ancorada largamente na tecnologia dos estúdios, e outra, baseada na escrita musical e em tradições centenárias de interpretação. São enormes os desafios à técnica e à criatividade do arranjador. Um deslize e a homenagem soará como uma “mumificação” sonora. O “autêntico” será falseado, transformado em souvenir. Também para os intérpretes a coisa não é nada simples.
Em três álbuns de rock sinfônico dedicados à música de gigantes dos anos 60 e 70, respectivamente Pink Floyd, Led Zeppelin e The Doors, o intrépido Jaz Coleman (acompanhado nos dois primeiros discos pela Filarmônica de Londres) deu sua resposta pessoal e, em boa medida, convincente ao desafio.
Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta
Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 17h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|