musicadiscreta


PODCAST Plasticidade Sonora

A eclética arte de Gabriel Yared: canções, klaxons e moviolas.

Nesta edição, trago para você a música de balé de Gabriel Yared, um dos mais requisitados compositores de trilhas da atualidade.

Gabriel Yared nasceu no Líbano, em 1949. Com parentes no Rio de Janeiro, quase se tornou carioca, não fosse uma “escala” feita em Paris no início dos anos 70. Desde então, vive na capital francesa, onde construiu uma carreira notável como orquestrador e compositor.

 

Na verdade, o músico chegou morar no Rio durante um ano e meio. Fez amizade com músicos como Don Salvador, Paulo Moura e Ivan Lins. Apaixonou-se pelo Brasil, pela Bossa Nova.

 

Yared tem um espírito essencialmente autodidata. É músico eclético e cosmopolita. Não há influência da música árabe aparente. Salvo as aulas de piano na infância e o contato prolongado com alguns poucos mestres em Paris, Yared aprendeu muito de sua arte sozinho. Domina como poucos as possibilidades do estúdio e as sutilezas narrativas da trilha sonora.

 

 

Pelo pouco que ouvi de sua música, alguns fragmentos de suas principais trilhas, fica difícil dizer se Yared tem um estilo musical próprio, reconhecível, como Mark Isham ou Hans Zimmer, apenas para citar dois outros nomes atuantes em Hollywood. (Bem, até o “compositor” Clint Eastwood tem um estilo prontamente identificável, marcado pela mais completa precariedade, isto é certo. Mas essa é outra história...)

 

Os temas de Yared apresentam frequentemente um sabor de música popular, namoram com a chanson, o tango, a valsa, o blues, a bossa nova e o rock. Mas há também seu veio sinfônico, erudito, que não ignora o amplo repertório técnico e expressivo desenvolvido pela tradição centroeuropéia, incluindo o modernismo e as vanguardas. (Yared freqüentou como ouvinte as aulas de Henry Dutilleux e Mauricio Ohana na Ecole Normale de Musique.) Não há propriamente originalidade melódica em seu trabalho. O pasticho, a citação transfigurada de grandes mestres como Bach e Tchaikovski parece comum. O que sobressai mesmo, além da rara sensibilidade para evocar emoções e estados psicológicos, é o senso único de colorista. Yared realiza prodígios de instrumentação com aparente naturalidade. Possui um “ouvido eletroacústico”. O banal soa fresco, novo, convincente.

 

 

Desde os anos 80, Yared tem assinado algumas das trilhas mais sedutoras do cinema europeu e norte-americano. Sua música pode ser ouvida em filmes tão diferentes como o cult erótico-pop Betty Blue (Dir.: Beineix, 1986) e o sonífero O Paciente Inglês (Dir.: Minghella, 1996), com o qual recebeu a estatueta dourada. Alguns outros filmes musicados por Yared: Cold Mountain (2003); O Talentoso Ripley (1999); Cidade dos Anjos (1998); O Amante (1991); Vincent & Theo (1990); Tia Danielle (1990) e o delicado Camille Claudel (1988). No total, somam cerca de 70 partituras.

 

Mais do que no cinema, Yared parece realizar-se artisticamente compondo para balés. Vamos conhecer na seqüência, a música que Gabriel Yared criou em 1987 para o espetáculo de dança Shamrock, da coreógrafa americana Carolyn Carlson. Temos aqui um Yared preocupado não apenas com a criação de atmosferas sugestivas, mas também com a plasticidade, com o gesto e com a exploração de novos timbres e texturas, acústicos e eletrônicos. Há um fascínio concreto, plástico, nessa deliciosa música de inspiração mecânica: tic-tacs, klaxons e rastros de automóveis.

 

Recomendo uma visita ao ótimo site do compositor: http://www.gabrielyared.com/

 

O podcast deste texto será publica em breve, aguarde! 



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 21h37
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PODCAST O som de uma voz

Cena de uma montagem da ópera The Sound of a Voice, 2003

Philip Glass - David Henry Hwang 

 

Uma velha mulher, um guerreiro.

A estranha intimidade que surge no encontro de pessoas que viveram no isolamento.

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 23h00
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PODCAST O som de uma voz

Uma palavra sobre o silêncio

Embora trabalhe há décadas com o que há de mais elementar na música ocidental, o compositor Philip Glass tem até o momento poucas obras verdadeiramente silenciosas. Pensemos em Satie ou Brian Eno, por exemplo. O discurso minimalista tem o silêncio como metáfora, isto é certo, mas há minimalismos e minimalismos; o de Glass prefere, geralmente, criar uma ambiência envolvente, às vezes monótona, às vezes contagiante e até mesmo algo autoritária. Seu instinto teatral fala mais alto.

 

E se entendermos aqui o silêncio de maneira um pouco mais convencional e objetiva, pensando em pausas expressivas, em ausência de sons intencionais, de notas musicais reverberando, enfim, veremos que a música de Glass apresenta-se normalmente como um contínuo sonoro onipresente, entorpecedor. Um moto perpétuo que não se abre facilmente às possibilidades imprevisíveis do silêncio.

 

O silêncio como signo musical, como elemento explícito e proposital do enunciado sonoro (Haydn, Webern), pode ser encontrado apenas em algumas poucas páginas do americano: especialmente em certos momentos de seus quartetos de cordas e peças para piano.

 

Phil Glass

 

Talvez o exemplo mais radical e ingênuo nessa área seja o seu Quarteto de Cordas no. 1, de 1965. Nessa obra encontramos um abismo de silêncio entre as duas partes da música. Uma pausa de dois minutos de duração separando dois enunciados fragmentários construídos exatamente sobre o mesmo material. É um Glass conceitual, certamente influenciado por Cage. Uma peça de transição que não teve grande influência no desenvolvimento de sua linguagem.  De fato, na música madura de Glass, de 68 em diante, o silêncio tem praticamente apenas dois lugares: antes de depois da peça acabar.

 

Algo, porém, desse gesto silêncioso inaugural foi resgatado pelo compositor,  décadas depois, em sua ópera de câmara The Sound of a Voice de 2003. A musica é escrita para um conjunto nada convencional, que combina com sutileza instrumentos ocidentais e asiáticos, incluindo uma seção variada de percussão étnica.

 

The Sound of a Voice é formada por duas pequenas óperas de um ato, nas quais os sonhos e as fantasias de um velho escritor japonês e de um samurai são apresentados de maneira intimista e delicada. 

 

Vamos ouvir na seqüência uma suíte instrumental extraída dessa ópera, com solo de pipa a cargo da virtuose chinesa Wu Man. Pipa é uma espécie de alaúde chinês de quatro cordas, tocado verticalmente.

 

 Wu Man

 

Ouvimos de Philip Glass, a suíte instrumental da ópera The Sound of a Voice, de 2003. Essa música cristalina e quase pontilhista foi escrita para pipa, flauta, cello e percussão. Tivemos solos de pipa de Wu Man, virtuose chinesa que já colaborou com músicos como Tan Dun e o Quarteto Kronos. O libretto é do escritor e dramaturgo americano, de origem chinesa, David Henry Hwang, autor de “M Butterlfy” e de vários outros sucessos teatrais.

 David Henry Hwang

O Podcast sobre este texto já está disponível!



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 18h58
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