PODCAST ESCRITA AUTOMÁTICA
SONHOS E SEGREDOS DA VANGUARDA MUSICAL: CANTOS ILUMINADOS
Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta
Nesta edição, peças experimentais de Robert Ashley e Alvin Curran. Esses dois músicos norte-americanos são também importantes artistas performáticos. Fazem parte da geração de compositores que nos anos 70 buscou caminhos alternativos para a música contemporânea, distanciando-se radicalmente dos modelos europeus baseados no serialismo.
Tanto Ashley quanto Curran se interessaram pela performance, pelo teatro musical e pela criação de música eletrônica ao vivo. Exploraram a voz, a eletrônica e a psicoacústica em abordagens arquitetônicas, ambientais.
Man Ray: Hands on lips (1929)
Pioneiro da arte interdisciplinar e multimídia, Ashley nasceu em Michigan, em 1930. Seguindo a trilha aberta pelo videoartista sul-coreano Nam June Paik, dedicou-se a criação de vídeo-óperas, levando dramaturgia de vanguarda à telinha. Seu principal interesse é ainda a linguagem falada, a oralidade mediada pela eletrônica. Ashley é um poeta-linguista que compõe com o microfone (e com a câmera de vídeo). As vozes são seus personagens. Trabalha com os ritmos naturais da fala: a fonética em diálogo estético com a eletrônica.
Robert Ashley
Em “Automatic Writing”, de 1979, ele materializa uma espécie de monólogo interior, um discurso involuntário construído a partir de pensamentos espontâneos e associações verbais. São sussurros rítmicos captados a apenas alguns milímetros do microfone. Um murmúrio que vibra no éter, uma hipnótica canção ao fundo (R&B). Um diálogo onírico que ameaça revelar segredos insuspeitados.
Ashley estudou psicoacústica e síntese vocal
Como já disse o musicólogo Jorge Lima Barreto, ao ouvir a música de Ashley, "temos a impressão de estarmos no interior de um confessionário", um confessionário surrealista talvez. Para outros, mais próximos ao compositor, sua música funcionava como trilha sonora ideal para viagens lisérgicas. É um trabalho intimista, sem dúvida. As vozes em “Automatic Writing” são do próprio Ashley e de Mimi Johnson (que traduz seus pensamentos em francês). “Escrita Automática”, Robert Ashley.
Alvin Curran: compsitor-performer
Natural de Rodhe Island e oito anos mais jovem que Ashley, Alvin Curran encontrou seu ambiente artístico na Itália, mais precisamente em Roma. Curran é um dos fundadores do grupo Musica Electronica Viva.
Trabalhando com sons pré-gravados (paisagens sonoras) e improvisações, produziu uma série de longas performances solo. Essas peças tomaram a forma de "composições" ao longo de um processo contínuo de apresentações ao vivo. Apenas depois foram gravadas em disco. São obras de caráter ambiental, como "Songs and Views from the Magnetic Garden", "The Works", e "Canti Illuminati", esta última criada entre 1975-1978.
Além de empregar frequentemente sua própria voz em fantasmagóricas vocalizações, Curran manipula gravadores e outros dispositivos eletrônicos em tempo real. Toca também flugelhorn e sintetizadores. Sua música é marcada por um estranho lirismo.
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Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 10h56
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