O GRÃO DA VOZ LUCIANO PAVAROTTI
Se soubesse, bem que gostaria de chorar uma lágrima pelo tenor Luciano Pavarotti (1935-2007).
o tenor italiano Luciano Pavarotti
A beleza de seu timbre sempre me comoveu. Tudo o mais, ou seja, seus excessos midiáticos e certa “canastrice” melodramática, era-lhe tranqüilamente perdoado.
Bastava-me direcionar bem os ouvidos, selecionar as gravações.
O simpático cantor de Modena,soube imprimir-se no imaginário contemporâneo como ícone do canto lírico (de massa) – o que não é pouco.
Afligia-me com eventuais críticas negativas recebidas durante seus últimos em tradicionais palcos de ópera.
Míope que sou, bem como avesso a multidões, gostaria muito de tê-lo visto de pertinho em algum teatro municipal(de preferência nos anos 70 ou 80!).
Reconhecido como um dos "grandes" de nosso tempo,a partir dos anos 90 Pavarotti buscou legitimar para a sociedade midiática - em estádios e veículos eletrônicos - uma arte há tempos anacrônica.
Por meio de projetos mercantis excepcionalmente "orquestrados" - e artisticamente ralos -, pôs a música clássica em sintonia com os acontecimentos globais. Envolveu-se em projetos humanitários e cantou com freqüência a união, a amizade e a caridade.
Sabê-lo morto entristece. Naturalmente.
A voz de Pavarotti continuará a me emocionar. Recebo-a como um presente vindo do norte da Itália. Um presente refinado, mas de sabor universalmente popular. Recebo-a sempre como a um velho amigo. Timbre brilhante e aveludado; grão da voz único que se projeta em gestos generosos, ainda que muito bem estudados. Materialidade sonora envolvente, capaz de transplantar-me temporariamente para um cenário apenas vislumbrado em sonhos.
Ela ainda está por aqui. Basta escolher bem entre as muitas gravações, maravilhas essas que tanto alegram os recantos da alma.
Abaixo, um breve comentário sobre o início da carreira de Pavarotti. Texto extraído do excelente site "Esta noche barra libre"
http://estanochebarralibre.blogspot.com/
El Pavarotti maduro (1985) contaba que en sus comienzos existían no menos de 15 tenores famosos con los que competía en desventaja, pues ellos ya estaban donde él quería llegar. Sin embargo, él mismo considera que esa circunstancia tuvo efectos beneficiosos sobre su carrera, pues le obligó a perfeccionarse hasta límites que los tenores actuales no conocen. En este sentido, Pavarotti es el último de una estirpe de grandes cantantes.
Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 13h05
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|