musicadiscreta


In memoriam: Karlheinz Stockhausen (1928-2007)

 

Meu pranto dissonante: no último Beckett, o antídoto à via mística.

Um pouco daquela perplexidade fenomenológica que circunda a obra de notáveis criadores do século XX.

 

 

What is the word  |  Que palavra será 

Tradução do escritor português Miguel Esteves Cardoso

 

loucura –

loucura porque –

porque –

que palavra será –

loucura disto –

tudo isto –

dado –

loucura dado tudo isto –

visto –

loucura visto tudo isto –

isto –

que palavra será –

isto isto –

isto isto aqui –

tudo isto isto aqui –

loucura dado tudo isto –

visto –

loucura visto tudo isto isto aqui –

porque –

que palavra será –

ver –

vislumbrar –

precisar de parecer vislumbrar –

loucura porque precisar de parecer vislumbrar –

que –

que palavra será –

e onde –

loucura porque precisar de parecer vislumbrar que onde –

onde –

que palavra será –

ali –

ali mesmo –

além ali mesmo –

ao longe –

ao longe além ali mesmo –

a custo –

a custo ao longe além ali mesmo que –

que –

que palavra será –

visto tudo isto –

tudo isto isto –

tudo isto aqui –

loucura porque para ver o que –

vislumbrar –

parecer vislumbrar –

precisar de parecer vislumbrar –

a custo ao longe além ali mesmo que –

loucura porque precisar de parecer vislumbrar a custo ao longe

            além ali mesmo que –

que –

que palavra será –

 

que palavra será

 

(Samuel Beckett, 1988). 



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 17h10
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Da Crítica e do Ensino Musical

ou POR QUE NOSSOS INTELECTUAIS TEMEM A MÚSICA?

Há uma espécie de pavor secreto e silencioso que assalta educadores, profissionais e pesquisadores de comunicação quando o assunto é música. Via de regra, o remédio paliativo para esse desconforto, que aflige indistintamente professores, jornalistas e acadêmicos, é a mistificação.

 

Mão Guidoniana  (sinais manuais para simbolizar as notas) - Manuscrito do século XV

Transcrevo a seguir uma inquietante reflexão da musicóloga portuguesa Maria Alzira Seixo acerca da linguagem musical e suas ainda mal compreendidas especificidades sígnicas.

 

 

Fragmento da partitura gráfica de Fontana Mix, do norte-americano John Cage (1912-1992).

 

[...] a música é uma arte “à parte”: na formação implicada pela cultura geral (a música é a única arte que não diz rigorosamente nada, quando todas as outras figuram significações particulares de apreensão imediata a determinado nível) e na formação específica conducente a uma prática (para produzir literatura, parece bastar saber escrever; para produzir a maioria das artes plásticas, parece bastar saber manejar certos objectos com características impressoras, de modo a desenhar um traço, manchar uma cor ou marcar um material moldável; ora para produzir música há que atravessar uma barreira de séria iniciação que é a da notação musical e das suas regras).

 

 

O compositor vienense Arnold Schoenberg (1874-1951)

 

Assim, a música aparece em geral como uma arte de prática mais distanciada das hipóteses de produção comuns. Por outro lado, a sua percepção incorpórea, não objectual, é difícil de ser trabalhada criticamente no plano amadorístico e não pode facilmente ser desviada do tipo de recepção especializado (ou, mais latamente: “alfabetizado”), a não ser em termos emocionais, psicológicos, de puro gosto não intelectualizado, de empatia sem efectiva intelecção.

 

O compositor e educador musical alemão Carl Orff

 

Assim, há uma espécie de “terrorismo” que a prática do envolvimento musical pratica e que faz com que, em certas situações, intelectuais brilhantes confessem apressadamente ( como quem se desculpa – ou como quem se afasta do problema; e é esta segunda atitude, que no fundo está na base da primeira, que radicalmente consideramos incorrecta) que “não percebem nada de música”, quando muito mais dificilmente confessarão que “não percebem nada de literatura”, ou “de pintura”, ou “de fotografia”, ou “de cinema”, ou de qualquer outra manifestação artística.

 

O compositor Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005) e o pianista Sérgio Villafranca lêem a partitura esférica de Acronon

 

E cremos que tal sentimento de “terrorismo” reside principalmente no facto de que a música não põe de imediato uma significação à discussão (figura ou idéia), ou da consciência que se tem, pelo menos, de que ela não é contornadamente sensível. Já se disse várias vezes que a música é a arte do significante puro e que uma semântica musical só adentro do universo sonoro pode ser buscada (SEIXO, Maria Alzira: in SEMIOLOGIA DA MÚSICA).



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 09h55
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GREENAWAY | SOLLIMA | REMBRANDT

O trailer de Nightwatching, novo filme de Peter Greenaway, traz a música pós-minimalista de Giovanni Sollima.

As cenas são animadas por trechos de "Violoncelles Vibrez!", composição gravada pela Kremerata Baltica, do violinista Gidon Kremer.

O filme é inspirado no quadro "Ronda Noturna", de Rembrandt (1606-1669). Trata-se de uma "biografia pictórica" do mestre holandês.

O longa-metragem foi apresentado no Festival de Veneza em agosto deste ano.

Embaladas pela música passional de Sollima, as cenas parecem exuberantes. Reproduzem com perfeição a técnica do chiaroscuro barroco.

Nota-se o empenho dos editores do trailer em demonstrar que o filme possui uma narrativa convencional.

Ao que parece há mesmo uma trama (um hipotético complô da alta burguesia de Amsterdã contra o pintor); e também sexo e alegoria.

Adivinha-se algo das obsessões costumeiras do diretor, seu cuidado com o detalhe e a representação.

Obsessões estão presentes também na música de Sollima, notável cellista siciliano e compositor visceral de música para teatro e ópera.

Colaborou em instalações do diretor teatral americano Robert Wilson.

Apoiado em uma peculiar educação do olhar, e também no gosto pelo gesto enciclopédico, Greenaway defende a emancipação pictórica do cinema.

Busca libertá-lo de suas origens narrativas, derivadas essencialmentedo romance burguês do século 19.

Curiosamente, outra arte contribui para a formulação do cinema deste diretor que é artista plástico de formação. 

A música, ou melhor, o pensamento musical e suas técnicas de composição permeiam toda a produção audiovisual do artista. 

O diretor britânico confessa que estrutura seus filmes como se fossem sinfonias visuais.

Dentre seus heróis musicais, destaca John Cage, Louis Andriessen, Steve Reich, Philip Glass e Michael Nyman.

Saiba mais sobre o novo filme de Greenaway e suas idéias polêmicas sobre a morte do cinema. Recomendo uma visita ao site Fora de Moda.

Lá você encontra uma ótima síntese da palestra que o cineasta proferiu na FAAP, no dia 03 de outubro, em programação paralela ao 16o. Videobrasil.

http://forademoda.wordpress.com/2007/10/05/peter-greenaway-fala-sobre-a-morte-do-cinema/

Para ouvir um pouco da música de Sollima:

http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 15h18
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PODCAST Led Zeppelin Sinfônico

 

LED ZEPPELIN SINFOFÔNICO – Nos anos 90 o inglês Jaz Coleman (1960), músico inquieto e multifacetado, aceitou um desafio temerário, simplificando muito: transpor solos de guitarra elétrica para violinos.  Arriscou-se enfim a levar clássicos do rock’n’roll para a sala de concerto.  Iniciativas assim resultam frequentemente em tristes paródias. Aproximam-se irresistivelmente do musak. Anulam involuntariamente a força visceral do ruído eletrificado, da amplificação acústica que faz vibrar prazerosamente o abdome e incendeia o coração. Embotam o gesto contestador do grito, da distorção e da pancada com demãos exageradas de verniz erudito.

 

 A banda inglesa Led Zeppelin (1969-1971)

 

Rock é música elementar em alta voltagem. Tal qual a tradição clássica, é fruto de uma cultura específica, com suas seduções, convenções e limitações. Transpor as fronteiras e promover aproximações enriquecedoras entre universos estéticos tão distintos é tarefa para poucos, Zappa encabeçando a lista.

 

Sem dúvida, o rock progessivo provou de forma contundente que é possível estabelecer um diálogo criativo. (E como não pensar em Beatles e George Martin!). O problema reside na idéia de se executar com uma orquestra um repertório imortalizado geralmente pelos seus próprios criadores, em performances ao vivo, não raro marcadas pela espontaneidade e pela intuição, ou em elaboradas gravações de estúdio.

 

 Jimmy Page e Robert Plant

 

Rock é atitude. Como não perdê-la com 80 músicos sincronizados por um maestro? Como reproduzir “fielmente” as intenções originais de uma banda nesse outro contexto altamente disciplinado? Como fazer essa estranha mediação idiomática entre uma cultura musical, ancorada largamente na tecnologia dos estúdios, e outra, baseada na escrita musical e em tradições centenárias de interpretação. São enormes os desafios à técnica e à criatividade do arranjador. Um deslize e a homenagem soará como uma  “mumificação” sonora. O “autêntico” será falseado, transformado em souvenir. Também para os intérpretes a coisa não é nada simples.

 

Em  três álbuns de rock sinfônico dedicados à música de gigantes dos anos 60 e 70, respectivamente Pink Floyd, Led Zeppelin e The Doors, o intrépido Jaz Coleman (acompanhado nos dois primeiros discos pela Filarmônica de Londres) deu sua resposta pessoal e, em boa medida, convincente ao desafio.

 

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 17h20
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PODCAST Plasticidade Sonora

A eclética arte de Gabriel Yared: canções, klaxons e moviolas.

Nesta edição, trago para você a música de balé de Gabriel Yared, um dos mais requisitados compositores de trilhas da atualidade.

Gabriel Yared nasceu no Líbano, em 1949. Com parentes no Rio de Janeiro, quase se tornou carioca, não fosse uma “escala” feita em Paris no início dos anos 70. Desde então, vive na capital francesa, onde construiu uma carreira notável como orquestrador e compositor.

 

Na verdade, o músico chegou morar no Rio durante um ano e meio. Fez amizade com músicos como Don Salvador, Paulo Moura e Ivan Lins. Apaixonou-se pelo Brasil, pela Bossa Nova.

 

Yared tem um espírito essencialmente autodidata. É músico eclético e cosmopolita. Não há influência da música árabe aparente. Salvo as aulas de piano na infância e o contato prolongado com alguns poucos mestres em Paris, Yared aprendeu muito de sua arte sozinho. Domina como poucos as possibilidades do estúdio e as sutilezas narrativas da trilha sonora.

 

 

Pelo pouco que ouvi de sua música, alguns fragmentos de suas principais trilhas, fica difícil dizer se Yared tem um estilo musical próprio, reconhecível, como Mark Isham ou Hans Zimmer, apenas para citar dois outros nomes atuantes em Hollywood. (Bem, até o “compositor” Clint Eastwood tem um estilo prontamente identificável, marcado pela mais completa precariedade, isto é certo. Mas essa é outra história...)

 

Os temas de Yared apresentam frequentemente um sabor de música popular, namoram com a chanson, o tango, a valsa, o blues, a bossa nova e o rock. Mas há também seu veio sinfônico, erudito, que não ignora o amplo repertório técnico e expressivo desenvolvido pela tradição centroeuropéia, incluindo o modernismo e as vanguardas. (Yared freqüentou como ouvinte as aulas de Henry Dutilleux e Mauricio Ohana na Ecole Normale de Musique.) Não há propriamente originalidade melódica em seu trabalho. O pasticho, a citação transfigurada de grandes mestres como Bach e Tchaikovski parece comum. O que sobressai mesmo, além da rara sensibilidade para evocar emoções e estados psicológicos, é o senso único de colorista. Yared realiza prodígios de instrumentação com aparente naturalidade. Possui um “ouvido eletroacústico”. O banal soa fresco, novo, convincente.

 

 

Desde os anos 80, Yared tem assinado algumas das trilhas mais sedutoras do cinema europeu e norte-americano. Sua música pode ser ouvida em filmes tão diferentes como o cult erótico-pop Betty Blue (Dir.: Beineix, 1986) e o sonífero O Paciente Inglês (Dir.: Minghella, 1996), com o qual recebeu a estatueta dourada. Alguns outros filmes musicados por Yared: Cold Mountain (2003); O Talentoso Ripley (1999); Cidade dos Anjos (1998); O Amante (1991); Vincent & Theo (1990); Tia Danielle (1990) e o delicado Camille Claudel (1988). No total, somam cerca de 70 partituras.

 

Mais do que no cinema, Yared parece realizar-se artisticamente compondo para balés. Vamos conhecer na seqüência, a música que Gabriel Yared criou em 1987 para o espetáculo de dança Shamrock, da coreógrafa americana Carolyn Carlson. Temos aqui um Yared preocupado não apenas com a criação de atmosferas sugestivas, mas também com a plasticidade, com o gesto e com a exploração de novos timbres e texturas, acústicos e eletrônicos. Há um fascínio concreto, plástico, nessa deliciosa música de inspiração mecânica: tic-tacs, klaxons e rastros de automóveis.

 

Recomendo uma visita ao ótimo site do compositor: http://www.gabrielyared.com/

 

O podcast deste texto será publica em breve, aguarde! 



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 21h37
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PODCAST O som de uma voz

Cena de uma montagem da ópera The Sound of a Voice, 2003

Philip Glass - David Henry Hwang 

 

Uma velha mulher, um guerreiro.

A estranha intimidade que surge no encontro de pessoas que viveram no isolamento.

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 23h00
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PODCAST O som de uma voz

Uma palavra sobre o silêncio

Embora trabalhe há décadas com o que há de mais elementar na música ocidental, o compositor Philip Glass tem até o momento poucas obras verdadeiramente silenciosas. Pensemos em Satie ou Brian Eno, por exemplo. O discurso minimalista tem o silêncio como metáfora, isto é certo, mas há minimalismos e minimalismos; o de Glass prefere, geralmente, criar uma ambiência envolvente, às vezes monótona, às vezes contagiante e até mesmo algo autoritária. Seu instinto teatral fala mais alto.

 

E se entendermos aqui o silêncio de maneira um pouco mais convencional e objetiva, pensando em pausas expressivas, em ausência de sons intencionais, de notas musicais reverberando, enfim, veremos que a música de Glass apresenta-se normalmente como um contínuo sonoro onipresente, entorpecedor. Um moto perpétuo que não se abre facilmente às possibilidades imprevisíveis do silêncio.

 

O silêncio como signo musical, como elemento explícito e proposital do enunciado sonoro (Haydn, Webern), pode ser encontrado apenas em algumas poucas páginas do americano: especialmente em certos momentos de seus quartetos de cordas e peças para piano.

 

Phil Glass

 

Talvez o exemplo mais radical e ingênuo nessa área seja o seu Quarteto de Cordas no. 1, de 1965. Nessa obra encontramos um abismo de silêncio entre as duas partes da música. Uma pausa de dois minutos de duração separando dois enunciados fragmentários construídos exatamente sobre o mesmo material. É um Glass conceitual, certamente influenciado por Cage. Uma peça de transição que não teve grande influência no desenvolvimento de sua linguagem.  De fato, na música madura de Glass, de 68 em diante, o silêncio tem praticamente apenas dois lugares: antes de depois da peça acabar.

 

Algo, porém, desse gesto silêncioso inaugural foi resgatado pelo compositor,  décadas depois, em sua ópera de câmara The Sound of a Voice de 2003. A musica é escrita para um conjunto nada convencional, que combina com sutileza instrumentos ocidentais e asiáticos, incluindo uma seção variada de percussão étnica.

 

The Sound of a Voice é formada por duas pequenas óperas de um ato, nas quais os sonhos e as fantasias de um velho escritor japonês e de um samurai são apresentados de maneira intimista e delicada. 

 

Vamos ouvir na seqüência uma suíte instrumental extraída dessa ópera, com solo de pipa a cargo da virtuose chinesa Wu Man. Pipa é uma espécie de alaúde chinês de quatro cordas, tocado verticalmente.

 

 Wu Man

 

Ouvimos de Philip Glass, a suíte instrumental da ópera The Sound of a Voice, de 2003. Essa música cristalina e quase pontilhista foi escrita para pipa, flauta, cello e percussão. Tivemos solos de pipa de Wu Man, virtuose chinesa que já colaborou com músicos como Tan Dun e o Quarteto Kronos. O libretto é do escritor e dramaturgo americano, de origem chinesa, David Henry Hwang, autor de “M Butterlfy” e de vários outros sucessos teatrais.

 David Henry Hwang

O Podcast sobre este texto já está disponível!



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 18h58
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PODCAST Brincando na água

A Música dos Pigmeus Baka: um jogo entre o rítmico e o melódico

 

 

 

Para os Pigmeus Baka, que habitam as florestas tropicais dos Camarões, do Gabão e do Congo, a música é uma metáfora da vida. Está presente em quase todas as ocasiões, dos rituais de cura aos de iniciação, das canções de caça aos jogos coletivos, do nascimento à morte. O dia-a-dia desses tradicionais nômades da África Central é sempre acompanhado por eventos e atitudes musicais.

 

Originalmente coletores e caçadores, eles vivem desde tempos imemoriais em simbiose com diversos grupos de agricultores Bantus. Por várias razões, passam hoje por um processo contínuo de sedentarização. A audição é um dos sentidos mais apurados dos Baka. Comunicam-se na floresta a longas distâncias. São capazes de ler o mundo através da escuta.

 

Uma das manifestações simbólicas mais fascinantes dos Baka dos Camarões é o Tambor de Água. É um jogo em que mulheres e meninas literalmente “tocam o rio” com seu próprio corpo. Em grupo, elas entram no rio até a cintura e golpeiam com as mãos a superfície da água. Cada uma delas toca um padrão rítmico diferente formando uma textura rítmica sincopada, complexa.

 

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta

 

 

É uma grande diversão. O som da percussão aquática dessas mulheres e crianças, junto com sua polifonia vocal e suas risadas, repercute floresta adentro. E por trás da aparente superfluidade dessa atividade lúdica, podemos perceber também como o brinquedo e o jogo perpassam os processos comunicativos; estão enfim entre as raízes da cultura humana. Como aponta o semioticista tcheco Ivan Bystrina, a perda de um nexo reconhecível com as necessidades imediatas da sobrevivência, o seu l’art pour l’art que transvaloram estas atividades em fenômeno cultural, portanto em segunda realidade(BYSTRINA apud BAITELLO JR., 1997: 56).

 

A gravação que apresento nesta edição do Música Discreta me foi dada de presente por Cynthia Gusmão. O registro foi realizado em 1975, pelo etnomusicólogo francês Simha Aron (Editado em CD AUVIDIS/UNESCO).

 

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta

 

Recomendo fortemente o site do pesquisador e etnomusicólogo italiano Mauro Campagnoli. É fonte segura para pesquisa. Devo-lhe algumas das informações acima. http://www.maurocampagnoli.com/home.html

 

Abaixo reproduzo considerações musicais de José Miguel Wisnik sobre os pigmeus do Gabão:

 

“[...] Os pigmeus tecem irradiantes polifonias vocais, às vezes sem qualquer acompanhamento instrumental, às vezes com instrumentos percussivos.

 

            A música dos balineses [Indonésia] e dos pigmeus [África] são jóias do mundo modal. O mundo rítmico botando o pé no mundo melódico, o mundo melódico botando o pé no mundo rítmico. Percussões tomando a forma de alturas, as vozes tomando o caráter das percussões.

 

            [...] Os pigmeus realizam, em textura polifônica, o princípio da música modal que leva, em última instância, à superação da melodia pelo pulso: aqui não temos temas, nem mais movimentos de melodia; em vez disso, uma harmonia de ritmos que resulta de uma intensa e impressionante saturação melódica. As vozes se sobrepõem segundo o sentido original do contraponto: ponto contra ponto, nota contra nota. [...] A polifonia das alturas e durações, unida à granulação dos timbres rebatidos da voz, leva a uma estranha vertigem de tristezalegria” (WISNIK, 1989: 86-87).

 



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 14h42
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PODCAST MESOAMÉRICA

JORGE REYES: MÚSICA DO MÉXICO PRÉ-COLOMBIANO 

A música e os rituais dos MAIAS e ASTECAS recriados pelo multiinstrumentista mexicano JORGE REYES.

Em discos e apresentações ao vivo, ele combina instrumentos indígenas e seu próprio corpo num diálogo com a tecnologia eletrônica.

Uma tapeçaria sonora de caráter ancestral, baseada na sonoridade das flautas pré-hispânicas, tambores e cerâmicas, além de sintetizadores e sua própria voz.

 

 

Pueblos Indígenas. No México é possível ouvir Náhuatl e outras línguas indígenas [ Mixteco, Tlapaneco ] no Rádio. O que é o exótico?

 

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta

 

Para quem gosta de: Sonoridades autóctones. [ Uakti. ] Ambientes primitivos e eletrônicos. [ Eduardo Agni. ] Etnomusicologia. [ Rock Progressivo. ] Trilhas imaginárias. [ Xamanismo. ] Paisagens oníricas. [ Música corporal. ] 



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 10h22
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PODCAST ESCRITA AUTOMÁTICA

SONHOS E SEGREDOS DA VANGUARDA MUSICAL: CANTOS ILUMINADOS

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta

Nesta edição, peças experimentais de Robert Ashley e Alvin Curran. Esses dois músicos norte-americanos são também importantes artistas performáticos. Fazem parte da geração de compositores que nos anos 70 buscou caminhos alternativos para a música contemporânea, distanciando-se radicalmente dos modelos europeus baseados no serialismo.

 

Tanto Ashley quanto Curran se interessaram pela performance, pelo teatro musical e pela criação de música eletrônica ao vivo. Exploraram a voz, a eletrônica e a psicoacústica em abordagens arquitetônicas, ambientais.

 

 Man Ray: Hands on lips (1929)

 

Pioneiro da arte interdisciplinar e multimídia, Ashley nasceu em Michigan, em 1930. Seguindo a trilha aberta pelo videoartista sul-coreano Nam June Paik, dedicou-se a criação de vídeo-óperas, levando dramaturgia de vanguarda à telinha. Seu principal interesse é ainda a linguagem falada, a oralidade mediada pela eletrônica. Ashley é um poeta-linguista que compõe com o microfone (e com a câmera de vídeo). As vozes são seus personagens. Trabalha com os ritmos naturais da fala: a fonética em diálogo estético com a eletrônica. 

 

 Robert Ashley

 

Em “Automatic Writing”, de 1979, ele materializa uma espécie de monólogo interior, um discurso involuntário construído a partir de pensamentos espontâneos e associações verbais. São sussurros rítmicos captados a apenas alguns milímetros do microfone. Um murmúrio que vibra no éter, uma hipnótica canção ao fundo (R&B). Um diálogo onírico que ameaça revelar segredos insuspeitados.

 

Ashley estudou psicoacústica e síntese vocal

 

Como já disse o musicólogo Jorge Lima Barreto, ao ouvir a música de Ashley, "temos a impressão de estarmos no interior de um confessionário", um confessionário surrealista talvez. Para outros, mais próximos ao compositor, sua música funcionava como trilha sonora ideal para viagens lisérgicas. É um trabalho intimista, sem dúvida. As vozes em “Automatic Writing” são do próprio Ashley e de Mimi Johnson (que traduz seus pensamentos em francês). “Escrita Automática”, Robert Ashley.

  

 Alvin Curran: compsitor-performer

 

Natural de Rodhe Island e oito anos mais jovem que Ashley, Alvin Curran encontrou seu ambiente artístico na Itália, mais precisamente em Roma. Curran é um dos fundadores do grupo Musica Electronica Viva.

 

Trabalhando com sons pré-gravados (paisagens sonoras) e improvisações, produziu uma série de longas performances solo. Essas peças tomaram a forma de "composições" ao longo de um processo contínuo de apresentações ao vivo. Apenas depois foram gravadas em disco. São obras de caráter ambiental, como "Songs and Views from the Magnetic Garden", "The Works",  e "Canti Illuminati", esta última criada entre 1975-1978. 

 

Além de empregar frequentemente sua própria voz em fantasmagóricas vocalizações, Curran manipula gravadores e outros dispositivos eletrônicos em tempo real. Toca também  flugelhorn e sintetizadores. Sua música é marcada por um estranho lirismo.

 

Ouça: http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 10h56
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PODCAST EM EXPOSIÇÃO

BLOOKS – o vasto universo da palavra na web, entre blogosferas e podosferas

 

Dois episódios do podcast "música discreta" foram selecionados para a exposição multimídia

"Blooks - Tribos & Letras na Rede"

A mostra apresenta um panorama da produção literária na internet (prosa, poesia, grafismos, quadrinhos e podcasts).

 

Idealizada pela crítica literária Heloisa Buarque de Hollanda, a exposição tem curadoria de conteúdos de Bruna Beber e Omar Salomão.

 

O artista gráfico Gustavo Moura e a designer Sonia Barreto respondem pelas ambientações multimídia, pelos espaços sensoriais.

 

São mais de 200 trabalhos, de vários artistas e autores.

 

Até o dia 30 de setembro no espaço Oi Futuro (Rio de Janeiro).

Veja o convite/catálogo da exposição: blooks.pdf

 foto colhida em  www.blogdeguerrilha.com.br

Eis o serviço:

Blooks - Tribos & Letras na Rede
Concepção e Curadoria Geral: Heloisa Buarque de Hollanda
Curadoria de conteúdo: Omar Salomão e Bruna Beber
De 8 a 30 de setembro
Oi Futuro - Rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo - Nível 4
Tel: (21) 3131-3060
Classificação etária livre - Entrada franca
http://www.oifuturo.org.br/oifuturo.htm#/espacocultural/multimidia.asp

Diálogos sedutores entre literatura, artes visuais e rádio -- na simultaneidade toda envolvente da Cibercultura!

Se estiver no Rio, apareça lá!

Ouça aqui os podcasts selecionados: "Tyger! Tyger!" e "Out of The Ruins".

http://canal.podcast1.com.br/musica_discreta

Blook [bluk – anglicismo de blog + book] s. m. é

1. Gênero surgido na internet que se utiliza da formatação dos blogs para publicar obra literária ou artística.

2. Textos de um blog impressos em formato de livro.

3. Gíria nos cassinos norteamericanos para a carta Curinga.

+ sobre a exposição:



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 19h07
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O GRÃO DA VOZ LUCIANO PAVAROTTI

Se soubesse, bem que gostaria de chorar uma lágrima pelo tenor Luciano Pavarotti (1935-2007).

 o tenor italiano Luciano Pavarotti

A beleza de seu timbre sempre me comoveu. Tudo o mais, ou seja, seus excessos midiáticos e certa “canastrice” melodramática, era-lhe tranqüilamente perdoado.

Bastava-me direcionar bem os ouvidos, selecionar as gravações.

O simpático cantor de Modena,soube imprimir-se no imaginário contemporâneo como ícone do canto lírico (de massa) – o que não é pouco.

Afligia-me com eventuais críticas negativas recebidas durante seus últimos em tradicionais palcos de ópera.

Míope que sou, bem como avesso a multidões, gostaria muito de tê-lo visto de pertinho em algum teatro municipal(de preferência nos anos 70 ou 80!).

Reconhecido como um dos "grandes" de nosso tempo,a partir dos anos 90 Pavarotti buscou legitimar para a sociedade midiática - em estádios e veículos eletrônicos - uma arte há tempos anacrônica.

Por meio de projetos mercantis excepcionalmente "orquestrados" - e artisticamente ralos -, pôs a música clássica em sintonia com os acontecimentos globais. Envolveu-se em projetos humanitários e cantou com freqüência a união, a amizade e a caridade.

Sabê-lo morto entristece. Naturalmente.

A voz de Pavarotti continuará a me emocionar. Recebo-a como um presente vindo do norte da Itália. Um presente refinado, mas de sabor universalmente popular. Recebo-a sempre como a um velho amigo. Timbre brilhante e aveludado; grão da voz único que se projeta em gestos generosos, ainda que muito bem estudados. Materialidade sonora envolvente, capaz de transplantar-me temporariamente para um cenário apenas vislumbrado em sonhos.

Ela ainda está por aqui. Basta escolher bem entre as muitas gravações, maravilhas essas que tanto alegram os recantos da alma.

Abaixo, um breve comentário sobre o início da carreira de Pavarotti. Texto extraído do excelente site "Esta noche barra libre"

http://estanochebarralibre.blogspot.com/

El Pavarotti maduro (1985) contaba que en sus comienzos existían no menos de 15 tenores famosos con los que competía en desventaja, pues ellos ya estaban donde él quería llegar. Sin embargo, él mismo considera que esa circunstancia tuvo efectos beneficiosos sobre su carrera, pues le obligó a perfeccionarse hasta límites que los tenores actuales no conocen. En este sentido, Pavarotti es el último de una estirpe de grandes cantantes.



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 13h05
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PIERRE HENRY

 

Poderia ser a trilha de AUSTIN POWERS,

mas é a música para um bailado de MAURICE BÉJART.

Escatologia eletrônica embalada em rock and roll.

 

Ouça o PODCAST: http://www.podcast1.com.br/canal.php?codigo_canal=107

  

Prestes a completar 80 anos, o francês Pierre Henry é a grande atração do Festival Musica Nova de 2007. As investigações sonoras desse pioneiro da música concreta serão ouvidas hoje e amanhã (dia 06) em dois espetáculos no Auditório Ibirapuera (às 21h).  Infelizmente, por questões de saúde, o mestre não virá pessoalmente a São Paulo. Suas composições serão apresentadas sob a supervisão de seu filho, David Henry.

 

  pierre henry

 

Henry (1927-) é co-autor da “Sinfonia para um Homem Só” (1950), uma das obras inaugurais da chamada “música concreta”. É música feita de sons e ruídos pré-gravados, manipulados, editados. Arte acústica inventada por outro Pierre, seu compatriota, o grande Schaeffer (1910-1995). Os dois trabalharam juntos no Clube de Ensaios da Radiodifusão Francesa, entre 1949 e 1958.

 

Tanto a "música concreta" francesa quanto a "música eletrônica" alemã nasceram em estúdios de radiodifusão. Nada mais justo então do que difundi-las nesta reencarnação cibernética do rádio que é também o podcast.

 

  parceria henry | colombier

 

 

Nesta edição, ouviremos a psicodelia eletrônica da “Missa para o tempo presente”, criada em 1967 para um balé de Maurice Béjart (1927-).

 

Assim como a “Sinfonia para um Homem só”, essa também é uma obra criada a 4 mãos: a parte eletrônica esteve a cargo de Pierre Henry; os arranjos e as levadas de rock psicodélico foram criados pelo já falecido compositor e arranjador Michel Colombier (1939-2004).

 

Talentosíssimo, Colombier criou inúmeras trilhas sonoras para o cinema e televisão, além de ter assinado parcerias com Serge Gainsbourg (1928-1991) e muitos outros nomes da música popular internacional.

 

Nas pequenas peças eletroacústicas dessa “missa” pós-moderna -- idealizada pelo gênio coreográfico de Bejart como homenagem póstuma a um de seus bailarinos -- a vanguarda encontra o pop com um sorriso irônico nos lábios. Aparentemente, os sons eletrônicos surgem menos como elemento estrutural e mais como ornamento, como efeitos sonoros escatológicos: temos glissandi que são verdadeiras metamorfoses sonoras, distorções e campainhas alienígenas, gestos inesperados e ruídos sintetizados que realizam mirabolantes coreografias estereofônicas. É quase um catálogo do imaginário sonoro futurista: uma divertida sonoplastia de filme "B" transfigurada em pura plasticidade sonora. Mas não há aqui qualquer ingenuidade: trata-se de uma espécie de pop art musical, um simulacro da música de consumo que, curiosamente, acabou sendo levado a sério por muita gente do universo do rock e do pop, como o grupo alemão Kraftwerk.

 

“Psyché Rock” uma das faixas da “Missa para o tempo presente” tornou-se um verdadeiro ícone sonoro para as novas gerações ligadas ao sampling e à música de dança eletrônica. O apelo midiático da peça revelou-se bem cedo: em 68 foi usada como trilha do filme “Z”, de Mikis Theodorakis. Mais recentemente, “Psyché  Rock” (ao que parece, já ela uma reelaboração da canção "Louie Louie", do americano Richard Berry) ganhou videoclips, variações e remixagens de DJs e produtores da cena eletrônica , como Coldcut, William Orbit e Fatboy Slim. Inspirou ainda tema do desenho animado "Futurama", de Matt Groening, o mesmo criador do seriado “Os Simpsons”.

 

Em resumo, Pierre Henry é hoje reverenciado pela garotada. Meninos e meninas que descobrem algo da invenção "eletrocaústica" com essa peça . É uma pena, no entanto, que muitos desses jovens ignorem a colaboração de Michel Colombier. Sem ele, Henry não teria realizado esse curioso marco psicodélico da música tecnológica.

 

Ouça: http://www.podcast1.com.br/canal.php?codigo_canal=107

 



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 11h36
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PODCAST TYGRE! TYGRE!

[ POESIA INCOMUM | MÚSICA TRADICIONAL ] 

 

“Canções da Inocência e da Experiência”,

 

do visionário inglês WILLIAM BLAKE (1757 - 1827).

 

 

Música coral de BILL DOUGLAS e JOHN TAVERNER.

 

 John Taverner (Londres, 1944).

 

Traduções de THE LAMB (O CORDEIRO) e THE TYGER (O TIGRE):

 

Augusto de Campos | José Paulo Paes | Paulo Vizioli | Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho (lançamento DISAL Editora).

 

Estes dois poemas-irmãos -- "The Lamb" e "The Tyger" -- foram musicados com dramaticidade e certo exotismo pelo compositor inglês John Taverner, em seu estilo peculiar fortemente influenciado pelas tradições musicais bizantinas e pelos ritos da Igreja Ortodoxa Russa.

 

Consciente das relações simbólicas e poéticas que unem esses dois poemas de Blake, Taverner cita a melodia maviosa de "The Lamb" (1982) quando, em "The Tyger" (1987), o texto faz alusão ao cordeiro -- o resultado é, no mínimo, poderoso!

 

Taverner é sempre citado, ao lado do estoniano Arvo Pärt, como praticante de um “minimalismo sacro”. Na verdade, apesar das afinidades espirituais que aproximam os dois músicos, eles possuem estilos bem difenciados: Pärt é essencialmente um estóico, enquanto Taverner não consegue esconder seu intenso lirismo.  Em certo sentido, os dois músicos produzem eventos sonoros contemplativos, monótonos e de natureza arquitetônica – música para ser habitada em estado de contrição. Na comparação, sobressai como traço distintivo o gosto do compositor londrino por um discurso rapsódico, manifestado basicamente em obras instrumentais homofônicas que seguem um roteiro ritualístico e coreográfico. Há ainda rompantes de uma dramaticidade exuberante em obras vocais maiores que mantém Taverner fortemente conectado às tradições britânicas. Paradoxalmente, é na perfeita simplicidade e na estudada economia de meios de "The Lamb" que encontramos o melhor de Taverner.

 

Ouça: http://www.podcast1.com.br/canal.php?codigo_canal=107



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 01h44
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PODCAST TYGRE! TYGRE!

[ POESIA INCOMUM | MÚSICA TRADICIONAL ] 

 

Nesta edição, “Canções da Inocência e da Experiência”,

 

do poeta, artista plástico e visionário inglês WILLIAM BLAKE (1757 - 1827).

 

Música coral de BILL DOUGLAS e JOHN TAVERNER.

 

Ouça: http://www.podcast1.com.br/canal.php?codigo_canal=107

 

 

TYGRE! TYGRE! BRILHO, BRASA

QUE A FURNA NOTURNA ABRASA,

QUE OLHO OU MÃO ARMARIA

TUA FEROZ SYMMETRYA?

 

(trad: Augusto de Campos)

 

 

As idéias e as imagens exploradas nas Canções de Blake são profundamente ambíguas.

 

Como observa a pesquisadora Clarissa Soares dos Santos (PUC-RJ), "a pureza e a inocência iniciais do cordeiro [ em "The Lamb" ] ganham um tom de crítica e ironia quando, em "The Tyger", Blake pergunta se quem fez o cordeiro fez também o tigre, ou seja, quem inventou a pureza e a inocência do cordeiro inventou também a maldade e o terror que o tigre inspira".

 

QUANDO OS ASTROS ALANCEARAM

O CÉU E EM PRANTO O BANHARAM,

SORRIU ELE AO VER SEU FEITO?

FEZ-TE QUEM FEZ O CORDEIRO?

 

(trad: José Paulo Paes)

 

Os poemas-irmãos foram musicados com dramaticidade e certo exotismo por John Taverner (Londres, 1944), em seu estilo peculiar fortemente influenciado pelos ritos Igreja Ortodoxa Russa.

 

As versões corais do canadense Bill Douglas para outros versos de Blake são de natureza mais convencional: abordagem simples e cristalina de um legado cultural europeu, com o toque sedutor de tradições célticas reconstruídas. Douglas é um apaixonado pela poesia.



Escrito por Roberto D Ugo Jr. às 00h09
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